Face a face com o sobrenatural. Baseado na série de Meg Cabot, 'A Mediadora'.
 
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Bem vindo!


Deu-se inicio de mais um semestre na cidadezinha de Carmel. Misterios estão sendo, pouco a pouco, revelados e segredos antes bem guardados, estão começando a vir a tona. Bruxos, Mediadores e Fantasmas se encontraram, chocando-se uns com os outros, e sem conseguir evitar os ligigos, as paixões avassaladoras, o ódio ou o amor. E agora? Que escolha você fará?

Bem vindo ao jogo!
Big Brother Carmel
- CALENDÁRIO -


Dia on:
11 de Setembro
Clima: Levemente fresco em Carmel. Algumas nuvens começam a nublar o céu; uma ameaça delicada à uma chuva vindoura.
Horário: Noite.

OFF: Favor finalizar suas ações até o dia 14 de setembro. A partir daí, poderão postar livremente na categoria Big Brother Carmel. Ps.: Só poderão postar os personagens que receberam uma mp da Admnistração.
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Proibida a Cópia total ou parcial.
Obrigada.

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 A February Halloween night?

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The Shadow
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MensagemAssunto: A February Halloween night?   Sex Out 31, 2008 2:00 pm

O corpo docente tanto do Colégio quanto da Universidade Junípero Serra, organizaram um Bile de Boas vindas a todos logo ao fim da primeira semana se aula.
A decoração é bonita, colorida e se encontra no Ginásio. No jardim e em toda a área externa também há decorações e luzinhas coloridas. Há muita comida e bebida [sem alcool, claro. x)] e os responsaveis pela festa fizeram o que estava ao seu alcanse para que os alunos desfrutem ao maximo da festa.
Portanto, sintam-se a vontade e divirtam-se!


2° parte:

Pessoal, vai acontecer um terremoto. Logo nos primeiros posts, socializem mas depois falem sobre o tremor, certo?
O Colégio não vai abaixo, mas os celulares não funcionarão e ficaremos tooodos no escuro! Uma boa deixa para os fantasmas, hein? Sejam dramaticos, entrem em panico e tudo mais!
Vamos deixar isso divertido! \o/

_________________


"*Sala. Câmera. Holofote. Tia Shadow pigarreia. * "Curvem-se perante a mim, mortais! Venerem a mim, que sou tão onisciente e tão onipresente quanto as forças que regem o universo! Quando você estiver no pc, estarei lá! Quando sair à rua, estarei lá! E quando dormir, dominarei você! Sou as trevas! A escuridão! A SOMBRA! * pausa para risada maléfica engasgando em seguida * OH, CÉUS, ESTAVA GRAVANDO? Como deslig..." - Gossed by Cori
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Cadance Fox
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MensagemAssunto: Re: A February Halloween night?   Qua Nov 05, 2008 10:40 am

Uma festinha em Carmel...

Eu me pergunto, o diabos era isso? Porque, cara, eu tenho certeza de que as festinhas daquele lugar eram um tanto quanto sem graça, para não dizer piegas. Nenhum trafico de drogas obscuro, nenhuma gangue armando alguma para nerds, e ninguém transando nos corredores vazios.
Uh... E, para quem está acostumada em estudar em uma escola com sessenta alunos em cada sala, é bem anormal se ver em um lugar onde sessenta era o numero total de estudantes do 3° ano.

Contudo, eu me pergunto o que as pessoas DAQUI fazem para se divertir.
Reúnem-se todos os dias às cinco da tarde para um chazinho? Jogam videogame? Críquete?
Bem, pelo menos há a praia. E que praia, devo acrescentar. Beleza a cidade tem de sobra, mas temo que ainda terei de procurar algo interessante que ocupe o meu tempo. Surf parece uma boa idéia. Vou obrigar o Jackson a descolar um Jet Ski, em todo caso.
Mas eu, com toda a certeza, vou acabar enlouquecendo se não fazer algo interessante urgentemente!

Pensando bem, há outro ponto positivo para a cidade... Há fantasmas nela. Muitos, muitos fantasmas. Eu realmente pensei que não haveriam muitos, já que é uma cidade pequena e tal. Em Washington eu encontrava dois fantasmas por esquina, e até ignorava bastante alguns. Por, sabe como é, eu gosto pelo menos de lucrar com algo, saca? De que adianta você se arregaçar todo pra fazer com que um fantasma “descanse em paz” se não vai ganhar nada? Bem, pelo menos eu posso treinar meus socos e chutes sem correr risco de ir para a cadeia ou algo assim. Por que, dã, os fantasmas não podem simplesmente ir na delegacia e prestar uma queixa contra mim. Há, isso é bem legal.

De qualquer forma, eu ergui uma sobrancelha quando soube da festa de boas vindas aos alunos. E passaram os seguintes dias tagarelando tanto sobre o referido evento, que eu não pude de deixar de comparecer nele.
Quando o relógio anunciou as seis e meia da noite, ouvi trovões. E até ri porque imaginei a festa sendo cancelada por causa da chuva.
Mas, isso não aconteceu. Porque a chuva logo se anuviou o bastante para que as pessoas, excitadas com a festa, fossem.
Decidi que daria uma passada lá. Nem que fosse só para comprar uma cerveja e voltar para a casa. Mas aí me ocorreu que aquilo era praticamente uma igreja. Sem álcool, sem musicas, nem strip-tease’s e sem centenas de pessoas se agarrando a cada metro quadrado [Que era as coisas com as quais eu estava irrefutavelmente acostumada a ver].

Já que parece que seria um evento mais ou menos formal[?], eu decidi vestir um vestidinho preto que ia até o meio das coxas [tudo bem, confesso que ele uma bastante até acima do meio das coxas], prendi meus cabelos no alto da cabeça, coloquei uma maquiagem carregada [bastante rímel nos olhos para realça-los] e uma bota de salto fino 10cm.
Dane-se se eu parecia uma roqueira tipo sex appeal. Eu gostava disso.

A essa altura o meu Jipe preto, brilhante e meu, só MEU [não sou obcecada por ele. É impressão sua.] já havia chegado de Washington, então seria uma boa estreá-lo.

Dirigi até o coleginho, esporadicamente topando com algum nas ruas.
Quando lá cheguei, notei que não havia muitas pessoas. Na realidade, só o pessoal do corpo docente e alguns nerd’s que ficavam atrás das barracas de ponche e coisas que se vendem por lá. Todos me olhavam como se, tipo, eu fosse a Carmem Sandiego ou algo assim. Dei de ombros e fui dar uma volta pelo lugar. Afinal, era lá que eu ia estudar, e eu precisava encontrar saídas para eventuais emergências, se é que você me entende.

Hey, quem nunca fugiu da escola que atire a primeira pedra!
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Thomas Portland
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MensagemAssunto: Re: A February Halloween night?   Qua Nov 05, 2008 1:17 pm

Eu tinha um jogo para assitir na TV, Los Angeles Lakers contra o Boston Celtics porém faltava um dos ingredientes para o jogo, na dispensa eu tinha os salgadinhos, o salaminho, azeitonas e.....cadê a cerveja? Eu tinha comprado no começo da segunda varias garrafas, como ela tinha sumido assim, Cristian? Poderia ter sido mas que provas eu teria contra meu amigo fantasma? Nada além de que ele adora beber cerveja comigo, e sozinho também, mas teve uma sequencia de três jogos dos Lakers....isso explica minha falta de cerveja com mais clareza, oque poderia fazer além de comprar mais, e assim sai.

Eu estava vestindo uma camisa branca, com uma jaqueta de couro preta da Ralph Loren, usando calças jeans Lui Vuitton um pouco rasgadas no joelho, ela era velha eu tinha ela a um ano, e meu tennis All Star preto e branco, segui até a garagem onde achei meu Volvo C30 preto e brilhante (Aquele foi sem duvida o melhor presente que meus pais me deram), olhei orgulhoso para ele e caminhei até ele abrindo a porta e entrando, pude sentir o couro, liguei o carro que rosnou alto aqueles 220 cavalos eram nervosos, abri o portão e segui até o mercado.

As ruas estavam quietas a chuva fraca e fina que caia não deixaria ninguem preso em casa devia haver outra razão para essa falta de vida nas ruas, mas deixei para lá, avistei o mercado e fui estacionando o carro perto da entrada, sai e adentrei ao mercado, não era um mercado grande era um WallMart da vida, fui a seção de cervejas estava em duvida quando a cerveja "Heineken ou Budweiser", resolvi levar três Packs de latas de Budweiser, eu adorava Heineken, mas é bom variar as vezes.Caminhei até o caixa um rapaz com camisa azul e vermelha com um cracha escrito Bob, sinceramente parecia uma camisa de boliche mas quem sou eu para julgar, ele foi educado apenas parecia estar entediado, eu paguei as cervejas e sai, entrei no carro e coloquei a cerveja no banco do passageiro.

Dei a ré com o carro e sai pela rua adjacente a rua principal, essa agora era a rua que passava perto do ginasio da escola. Perto do ginasio vi varias luzes e coisas do genero um certo movimento em direção ao ginasio, será que teria algo no ginasio hoje e eu não sabia, virei o carro e segui até o ginasio, algumas pessoas subiam a pé pela estrada, logo o ginasio se formou na minha frente e estacionei ao lado de um jipe preto lindo, de quem seria tal carro, de ninguem daqui concerteza era muito TRUE para uma capital do sol e surfe.

Sai do carro levando o pack de cerveja comigo, admirei o jipe era lindo mesmo, caminhei para dentro da quadra e minha surpresa por ele não estar todo cheio de luzes e enfeites, algumas poucas pessoas estavam ali dentro já, algumas pessoas atrás de barraquinhas de ponche e comida.

"Hum que clima sinistro" pensei sorrindo, uma festa na minha antiga escola teriam pessoas dançando e bebendo, se agarrando por todo lugar sabe como é né coisa de cidade grande, nem uma pessoa puxava um baseado ou bebia algo alcoolico, exceto por mim que carregava um pack de cerveja, puxei uma latinha do pack e abri com uma mão quando se acustuma isso é facil, olhei em volta algumas pessoas me olhavam curiosas e cochichavam, o pessoas sem oque fazer, vi uma jovem caminhando por perto usava um vestidinho preto que ia até o meio das coxas, cabelos presos no alto da cabeça, uma maquiagem carregada com bastante rimel nos olhos, e uma bota de salto fino 10cm com toda e absoluta certeza ela não era daqui era de uma terra mais sombria e perigosa, ou seja uma das minhas vinham de um lugar onde andar de preto é algo normal e sadio, e nas ruas tinham brigas, pessoas e mais pessoas, era de uma cidade grande de verdade, caminhei até ela devagar, ela me olhou.

-Desculpe, atrapalhar mas oque se passa nesse lugar? - Perguntei olhando em volta. - Oh, como sou rude, quer uma? - Falei ofereçendo uma cerveja. - Meu chamo Thomas Portland.
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Cadance Fox
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MensagemAssunto: Re: A February Halloween night?   Qui Nov 06, 2008 5:41 pm

É incrível como podemos nos surpreender com certas coisas. Na maioria das vezes costumamos julgar ou pressupor algo, chegando a uma conclusão que costuma ser errônea. Não que eu sempre erre – dã, eu sempre estou certa – mas ainda assim eu consigo ser surpreendida as vezes. Como foi o caso da escola. Ela era mais interessante do que eu julgava inicialmente. Toda aquela aura macabra que envolvia as salas, os jardins e os corredores, era muito excitante. E sim, eu costumo me excitar com o perigo. Adoro a sensação da adrenalina correndo por todo o meu corpo, e acho excepcional quando o sangue dispara em minha veia. Obviamente eu não saio por aí, como uma doente mental, procurando me colocar em perigo. Mas isso se resolve sem muitas complicações, já que eu, irrefutavelmente, sou como um imã para confusões. No lado bom da coisa, é claro.
E isso começa com o fato de eu ver fantasmas.
Acho que todo esse meu gosto por perigo começou com todo esse lance de mediação. Comecei lendo livrinhos idiotas sobre espectros e aparições sobrenaturais e acabei me convertendo em uma verdadeira “caça fantasmas” como no desenho animado. E, sabe, seria bem mais legal se os fantasmas possuíssem mesmo aquela gosma verde que há nos desenhos. Mas fazer o quê... pelo menos eu posso chutar o traseiro deles.

Continuei vagando pelas partes mais escuras da escola. Aquele ar meio velho e abandonado de tudo me fazia gostar de estar ali. Para a minha surpresa, alguns lugares não tinham a porta trancada; como a capela e a cabine onde o Padre ouve as pessoas se confessarem. E é claro que eu entrei lá dentro. Quantas pessoas não falaram de seus pecados ali? Só sei que se eu fosse uma freira, eu totalmente iria para o inferno. Dude, e os padres bonitinhos? Aliás, porque todo Padre tem que ser gostoso? ¬¬ Desperdício, isso sim...
Depois de sair da capela, dei uma olhada na parte externa das salas e vi o cemitério ao longe. Por algum motivo meio macabro o cemitério é bem perto da escola. Bem, na verdade eu acho que não é bem um cemitério. É um lugar onde enterram os membros clericais da Missão.
E foi quando eu estava olhando para lá que vi uma pessoa. Parecia ser um rapaz com seus 18 anos. O que a aura espectral que o fazia brilhar no escuro me mostrou, foi que ele tinha cabelos um pouco ruivos e, obviamente, tratava-se de um fantasmas.
Fiz menção de andar até lá, mas ouvi um barulho e estanquei no lugar. Alguém estava vindo...
Mordi o lábio e decidi não ir até o visitante inesperado. Mesmo que talvez conversar com um fantasma fosse tirar uma fração do meu tédio, ser flagrada no mini cemitério da Missão conversando sozinha não seria bom para a imagem. Não que eu realmente me importasse com o que aqueles caipiras poderiam dizer, mas eu não iria arriscar ser pega por ninguém da Reitoria.

Comecei a andar para o lado oposto; voltando para mais perto da festa.
Agora eu podia notar um pouco mais de movimentação, mas ainda não havia muita gente.
Logo depois de me escorar numa parede que era um pouco afastada do ponto culminante da festa, eu vi outro rapaz caminhando até mim. E só o notei depois que ele estava bem perto.
- Desculpe atrapalhar, mas o que se passa nesse lugar? – Ele me perguntou. Eu meio que olhei pra ele como se ele fosse um marciano, mas ele não pareceu reparar. Ele chegou mais perto, e foi então que eu reparei o que ele estava segurando em mãos. O néctar dos deuses, a elixir da vida, o liquido sagrado. Cerveja.
Meus olhos brilharam e eu, inclusive, me esqueci de sua pergunta anterior.
- Oh, como sou rude, quer uma? – Ele perguntou. Eu só olhei com adoração para a latinha a minha frente e peguei com a mão.
- Tá brincando...– Abri rapidamente e dei um gole.
- Meu chamo Thomas Portland. – Ele disse.
- Sou Cadance. – Eu realmente não estava com saco para apresentações espalhafatosas. – Como é que você conseguiu passar pelos santinhos daqui com isso? Se eu soubesse que poderia trazer álcool para cá, eu certamente traria um barril. –Dei mais um gole gigante. Na verdade a cerveja se esvaiu da latinha como em um piscar de olhos. E olha que eu nem bebo tanto quanto Jackson.
Amassei a latinha vazia com uma mão só [uma façanha da qual eu sempre me orgulhei por conseguir fazer] e joguei-a por trás do ombro.
- Wow, nem te conheço e já deixei você me embebedar. – Foi uma piada, claro. Sorri ladinamente e fiquei ereta. Coloquei a mão nos bolsos – hey, de qualquer forma, obrigada pela bebida. Você não sabe o quanto isso foi bom, julgando a animação da galera da festa. Ironia, ironia, ironia....
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Allegra S. Hoew
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MensagemAssunto: Re: A February Halloween night?   Qui Nov 06, 2008 7:05 pm

Aquela primeira semana havia passado voando, logo já estava me vendo cheia de trabalhos para fazer, e nem um tempo disponivel para mais nada, não que eu não estivesse gostando de tudo aquilo, ao contrário, para mim era mais uma distração que me fazia realmente não lembrar de tudo que estava acontecendo. E eu realmente não queria me ligar no que estava acontecendo.

Eu sempre achei que, por ter nascido com mais os dons de meu pai, a parte bruxa da família, eu não ia mais ter nenhuma manifestação de outro tipo de paranormalidade, que, no meu caso, era baseado no fato de minha mãe ser uma mediadora. E realmente foi assim nos primeiros anos da minha vida, até há um tempo, pelo menos

Começou há dois anos, mais ou menos, quando eu tive a primeira sensação. Estava com minha prima na casa de praia dela, em Glasgow, quando eu senti uma brusca baixa de temperatura. Eu olhei em direção a ela, mas aparentemente ela não estava sentindo nada. Aquilo ficou na minha cabeça, enquanto eu sentia que a temperatura estava baixa apenas em uma parte concentrada na minha nuca, de repente, eu senti como se fosse um suspiro baixo. Aquilo me deixou assustada, bem, não por ser um suspiro, mas por eu saber do que estava se tratando.Talvez eu, de algum modo, não tinha herdado somente os dons de meu pai?

Aquilo me pareceu um fato isolado, por não ter se repetido em um espaço de tempo de dois meses, mais ou menos, até que as coisas mudaram um pouco. Eu não estava realmente chegando a ver espíritos, falar com eles, como minha mãe, mas eu sabia que eles estavam ali, eu tinha a certeza se o lugar continha ou não, esses seres, e essas sensações estavam aumentado, na mesma proporção que meus medos também. Eu já não estava certa de como proceder com o que eu tinha em mãos, com a minha condição de ser uma bruxa,e agora eu também estava na iminência de não ser isso. E aquilo estava me deixando completamente atordoada.

Tentei ao máximo esconder isso de meu pai, eu não queria que ele sofresse mais do que sofreu quando abandonou tudo para se casar, visto que ambas as famílias eram contra a união deles dois, e, infelizmente, ele não teve muito tempo para ser feliz, por conta disso, eu não queria mais infligí-lo nenhunm outro tipo de aborrecimento como esse seria. Se por acaso minha família soubesse que eu tinha qualquer outro tipo de dom que não fosse apenas o nosso, eu com certeza poderia sofrer retaliações piores do que qualquer outro tipo, desde o banimento de meu pai. As coisas com nossa família apenas começaram a abrandar quando minha mãe morreu, e eu fui dita como bruxa, assim, todos recomeçaram a aproximação, mas, mesmo assim, não tinha nenhum tipo de outro laço maior, apenas um convite anual para reuniões, que tinha sido ''cassado'' com o banimento de meu pai.

Quando então, os acontecimentos envolvendo a mediação começaram a ficar mais ativos, me veio a oportunidade de receber uma bolsa para estudar na Junípero Serra. Eu não pensei duas vezes. Eu podia, finalmente, esconder de meu pai aquilo, enquanto ficava aqui em Carmel, iria poupá-lo de ao menos mais um desses sofrimentos. E essa foi a maior causa para eu sair da Alemanha e vir para aqui.

Por sorte, eu estava me adaptando completamente aqui. Bem, eu não falaria realmente em adaptação, visto que eu não via realmete motivos em me relacionar afetivamente com ninguém, mesmo que apenas de amizade. Eu não queria entrar em qualquer tipo de relação sem honestidade. Afinal, se eu chegasse para qualquer um dizendo que sou uma bruxa, que também, por coincidência, sente espíritos, com certeza iriam me mandar para o Centro de Atendimento Psicossocial mais próximo.

O fato é que minha rotina se baseava em ir para a aula, passar horas na biblioteca, e voltar para casa, algumas vezes, ia até o parque, mas era raro. Quando então, eu recebi a notícia da festa que iria ter, com certeza não me liguei muito, afinal, me socializar pra quê?

POrém, aquele dia eu me acordei diferente. Cansada na verdade, de não ter o que falar, de não ter com quem conversar, alguém que me diga que o Sol é realmente luminoso, que me diga coisas pequenas mas que tenham valor. Ou algo do genero. Bem, talvez esse meu ataque boêmio-depressivo tivesse se dado ao filme que eu vi noite passada, mas o fato é que me arrumei e fui até a tal festa.

Coloquei um vestido azul-escuro, mais ou menos curto. Deixei meus cabelos meio ondulados, e coloquei os olhos bem pretos, marcados, com um gloss clarinho. E fui. Mas quando cheguei num lugar onde não conhecia ninguém pensei em desistir. Seriamente. Olhei para meu carro, e resolvi ficar, onde logo peguei uma água, e me movi para um lugar onde tinham mais pessoas, inclusive, se eu não me engano, um rapaz que pegava alguma aula comigo, mas não tinha certeza.
Bem, nada poderia piorar, certo?
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Insonnia Thompson
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MensagemAssunto: Re: A February Halloween night?   Sex Nov 07, 2008 8:25 am

Certo.

Antes de mais, eu gostaria de esclarecer que não sou uma pessoa muito dada a festas...
O conceito de estar fechada/barrada no meio de uma multidão de gente nunca me seduziu muito particularmente. Mas, uma vez que nesta festa pelo menos não ia haver muita gente bêbeda -- já que a festa era num colégio de freiras e coisa e tal... -- eu decidi aceder aos pedidos de algumas pessoas e comparecer.

Agora... outra coisa a que eu não sou muito dada... é mostrar as pernas.
Não porque não goste de usar vestidos ou saias; muito pelo contrário. Eu adoro usar esse tipo de coisas!
Mas na escola não. Não gosto de ouvir comentários; fazem-me ficar imensamente vermelha e envergonhada.
Não é uma sensação que eu goste de modo algum.

Para além de que eu simplesmente detesto dar nas vistas...

Só que hoje eu estava-me sinceramente nas tintas para isso.
O que a minha mãe me dissera deu-me confiança -- Deixa de ser tonta Sonia, ora porque é que não deverias vestir saias? É quando fores velha e estiveres cheia de celulite que vais usar? Eu acho que não, mas tu é que sabes... Não deverias deixar que o que os outros te dizem te afectasse.

Não estava a pensar ficar muito tempo na festa por isso não havia mal, certo?
Em último caso podia pedir boleia para o chato do meu irmão, que com certeza estaria lá com a bimba loira de QI = - 235 a que de momento ele chama namorada... É. O meu irmão é um idiota no que toca a garotas... Talvez seja por isso que é o melhor amigo do Webber... -- mas avancemos.

Ignorei a voz gritante na minha cabeça -- que me aconselhava a não vestir nada muito diferente dos meus habituais jeans -- e optei por levar o meu vestido favorito.
É preto, um palmo acima do joelho, justo, mas meio solto na parte da saia. As alças são feitas de croché e há também uma faixa fina do mesmo material abaixo do peito e no decote redondo, que expõe parte da minha pele pálida. Decidi soltar o cabelo, usar uma maquilhagem escura esfumada nos olhos e calçar as minhas sandálias pretas de salto (12cm) de cortiça, que me tornavam mais alta sem magoar os pés no caso de andar de um lado para o outro pelo recinto.
À parte disso eu estava normal.

Coloquei o meu celular, I-Pod, lanterna -- Mediadora prevenida vale por duas -- e um casaco na mala para o caso de subitamente fazer frio. Bem... certamente não foi só isso mas acho que todas as pessoas têm consciência que na mala de uma mulher cabe o mundo... Eu não sou diferente.

- Sonia se queres boleia é melhor mexeres esse rabo até cá abaixo. A Tiff já deve estar à minha espera! - veio a voz impaciente do meu irmão no andar de baixo. Rolei os olhos enquanto punha perfume.

Com que então Tiffany Banks, huh? Pelo menos, Daisy Collins conseguia manter uma conversa inteligente; a Banks limita-se a dar risadinhas irritantes a todo o minuto... Espero encontrar alguém conhecido para não ter de ficar na companhia do grupinho besta do meu irmão a noite toda... pensei franzindo o nariz.

Saí do quarto, despedi-me dos meus pais -- já prontos para dormir... típico u.u -- ouvindo os seus custumeiros 'tomem cuidado queridos' -- e suportando o olhar desaprovador do meu pai relativamente ao meu vestuário, que, a meu ver não tinha nada de mais -- e dirigi-me à garagem com Leonardo a mil à hora na minha frente. Entrei para o lugar ao lado do condutor mas:

- Hey Soninha o que é que tu pensas que estás a fazer? Eu ainda tenho de passar pela casa da Tiff... e ela não vai no banco de trás de certeza absoluta! - Ele pegou a minha mala e atirou-a para o banco traseiro fazendo um esgar ao notar o peso; Não se abstraiu de comentar - O que é que tu tens aqui dentro? Pedras?

Eu revirei novamente os olhos sem dizer nada, enquanto saia irritada do carro e me sentava com tudo no banco traseiro.
Quando Tiffany entrou no carro -- parecendo mais lerda e vulgar do que nunca, devo acrescentar -- murmurei-lhe um 'olá' entre-dentes e dei-lhe o melhor sorriso falso que consegui arranjar.
Obviamente; ela é demasiado burra para entender esse tipo de coisa... mas o meu irmão não e por isso lançou-me um olhar de aviso pelo espelho retrovisor. Encolhi os ombros e olhei pela janela durante o resto da viagem.
Passados uns quinze minutos chegámos ao parqueamento da escola.
Despedi-me -- era melhor ir-me embora antes que aparecesse o resto daquele grupinho de idiotas -- mas nem o meu irmão nem a Banks ligaram muito; estavam demasiado ocupados a trocar germes no banco da frente.

Urgh. Pelo menos podiam ter esperado até estarem sozinhos... - Pensei enojada, andando até onde estavam concentradas as outras pessoas.

Parei no meio do recinto, estudando o lugar para ver se achava alguém conhecido ou, caso não visse ninguém, decidir para onde ir...
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Thomas Portland
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MensagemAssunto: Re: A February Halloween night?   Sex Nov 07, 2008 2:39 pm

- Desculpe atrapalhar, mas o que se passa nesse lugar? – Falei a olhando - Oh, como sou rude, quer uma?

Ela olhou com adoração para a latinha nas mão dele olhos brilharam, e ela a pegou da mão dele.

- Tá brincando...– Abriu rapidamente e deu um gole.

- Meu chamo Thomas Portland. – Eu disse me apresentando.


- Sou Cadance. –Ela falou curta, não parecia o tipo de garota tagarela que tinha por aqui, gostei disso nela, pessoas tagarelas irritam. – Como é que você conseguiu passar pelos santinhos daqui com isso? Se eu soubesse que poderia trazer álcool para cá, eu certamente traria um barril.

-Onde diz que não pode? - Falei olhando em volta. - E cá entre nós sobrevivi em Los Angeles, não seriam freiras que ia me colocar medo.

Ela deu um gole grande na latinha esvaziando essa com falicidade, "concerteza ela não é daqui" pensou, parecia acostumada a beber ela pegou a latinha e amassou com uma das mãos, jogando a latinha por cima dos ombros, essa fez um barulho seco ao aterrisar no chão, oque atraiu a atenção de algumas pessoas em volta.
"Oh gente sem oque fazer, vão dançar e larguem a gente em paz" pensou olhando para as pessoas de modo desinteressado.

- Wow, nem te conheço e já deixei você me embebedar.

-Não acho que isso fosse o suficiente. - Respondia a ela.

Foi uma piada, ela não ficaria bebada assim tão facil, ela sorriu ladinamente, era um sorriso bonito, e ficou ereta colocando as mãos nos bolsos, alguns rapazes a olhavam de longe, mas pela aparencia dela, seus jeito e atitudes, eles iam ficar mesmo só olhando.

– Hey, de qualquer forma, obrigada pela bebida. Você não sabe o quanto isso foi bom, julgando a animação da galera da festa.

Sim uma galera muito animada estava ali, já tinha visto funerais mais animados, mas fazer oque era a cidade, era esquisito quando se estava habituado a ver pessoas beberem, gritarem , brigarem, criarem confusão, serem animadas e caia-se de para-quedas nesse lugar quieto e morno.

-Imagino que de onde você veio é muito mais agitado. - Falei bebendo a segunda latinha. - Julgando pelo bom gosto de se vestir, não poderia ser de Camel.

Agora o salão estava mais movimentado que a uns minutos atrás, algumas pessoas falavam alto, iam as barraquinhas, alguns "valentões" mexiam com os nerds, mas era uma brincadeira banal e estupida deles, não tinham graça.

-Oque trouxe você a Camel, Cadance? - Perguntei interessado na unica coisa não monotona naquele lugar. - Eu vim fazer faculdade direito, direto de Los Angeles como disse antes.

Ele olhava desinteressado pelo ambiente ainda quando algo prendeu sua atenção, "Ela", a garota que sentava a sua frente em algumas aulas estava vestindo um vestido azul-escuro, os olhos bem demarcados resaltando a sua beleza, e os cabelos caindo ondulados era linda, "Como é o nome dela...é algo como Alle...Alle..Allegra" o nome veio de subito a mente dele, "Isso Alegra!".
Por que esse subito interesse? era algo que ele não entendi, mas oque mas o surpreendeu foi sua proxima ação sem pensar direito ele, levantou o braço e acenou para ela a chamando.
"Por que estou acenando?" pensou consigo mesmo, " É por que ela pareçe deslocada, não posso deixa-la ali deslocada no meio desses caras", mesmo sem entender a subita preocupação, ele permaneceu ali, ao lado de Cadance, já havia abaixado o braço e apenas esperava agora.
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Allegra S. Hoew
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MensagemAssunto: Re: A February Halloween night?   Sex Nov 07, 2008 5:17 pm

[justify]Bem, eu não creio que eu possa ser chamada de pessoa realmente amigável, afinal , eu não ando por aí com um séquito de ''amigos'', mas isso talvez tenha se dado ao meu passado familiar, ou melhor, se eu fosse a um psicanalista, com certeza, iria regredir até o loco do tempo onde isso ocorreria, e me veria na esfera familiar, com todas os problemas que um bruxo e uma mediadora vivendo em conjunto pudessem obter. O fato é que eu não tinha realmente 'amigos' nessa minha nova esfera, e eu não estava realmente incomodada com isso, afinal, uma coisa que eu realmente prezo em toda e qualquer equivalência de realacionamentos, é que se haja uma perfeita sinceridade, e eu creio que ninguém iria acreditar no momento que eu revelasse os meus ''dons''.


O fato é que eu também tinha uma parcela de personalidade que me indicava a ser assim, na verdade, fui taxada de ''grossa'' e ''estressada'' diversas vezes. Mas bem, não é por mal,é que simplesmente não sou todas sorriso e não gosto de conversinhas bestas no pé do meu ouvido. Portanto, sou daquelas que cortam logo o mal pela raiz, ou seja, corto a conversa sem antes chegar em qualquer parte que me faça depositar meus 5 dedos nos malares de alguém. Simples assim.

O fato é que eu não era realmente sociável, e isso se traduziu nos dez minutos que eu passei, apenas ouvindo bobagens de um certo grupo de rapazes que se postava em um lugar longe dos olhares das freiras que estava fazendo as rondas pelas festas, evitando que os alunos se portassem de maneira totalmente indevida e indecorosa [coisa que, pelo visto não estava fazendo lá muito efeito, visto que algumas criaturas conseguiam burlar o 'sistema' do colégio, e estavam carregando possíveis contenções de álcool em garrafas e latinhas.]

Bem, então, eu pensei sinceramente em dar meia-volta, e pegar meu C3 de volta ao apartamento, porém, algo me chamou a atençao, fazendo com que eu parasse, momentaneamente, de pensar em voltar.

Alguém, não muito longe, levantava a mão. Eu olhei para os lados, como se procurasse alguém que fosse realmente o receptor de tal aceno, mas, não tinha ninguém. Apertei o olhar, para que pudesse ver realmente a pessoa [visto que eu tenho um grau acentuado de miopia, e estava sem meus óculos naquele momento].

Eu percebi que era um rapaz, que estava acompanhado de uma garota. Em primeiro momento não percebi quem era, até que me lembrei do rapaz da Faculdade. Bem, como dito previamente, eu não sou sociável, por isso não conheço as pessoas, mas, com aquele, eu já havia trocado algumas palavras. Ele se sentava perto de mim, e uma ou duas vezes pediu para tornar a falar alguma explicação.

Não podia dizer que ele não me chamava a atenção, afinal, era um rapaz muito bonito, mas eu fazia questão de interceptar qualquer sentimento assim, e colocar na cabeça que eu tiinha mais o que fazer.

Eu fiquei pensando no porquê dele estar me chamando para se juntar a ele e a [namorada?]..mas bem, como a ida à festa, eu estava me dirigindo até Thomas [sim, sera esse o nome dele, segundo a chamada, ao menos] e à garota, eu cheguei até eles.

-Olá gente!

Dããã...

Eu sei que eu podia ter falado mais muito mais mas a minha retórica não estava muito boa naquele momento.
[/justify]
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Kelly Prescott
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MensagemAssunto: Re: A February Halloween night?   Sab Nov 08, 2008 9:01 pm


Just a reflection ;


Reagir criativamente mostra que os problemas que são importantes para os outros também são importantes para nós. Não se deve subestimar, ou menosprezar, o medo e a perturbação que uma pessoa sente. Reagir com desdém ou irritação é uma demonstração de puro egoísmo. Para mudar esse quadrinho bizarro o primeiro passo é admitir o fato e refletir sobre ele. Como por exemplo, quando você bate aquele papo consigo mesmo e acaba descobrindo todos os seus defeitos; reconhecê-los é o primeiro passo para eliminá-los. Depois é preciso descobrir quais são realmente nossos sentimentos e buscar nossa individualidade e felicidade, o que nem sempre é muito fácil, mas é uma busca válida. Só então podemos demonstrar que alcançamos a plenitude ou então, encontrá-la dentro de nós. É um fato que a plenitude existe dentro da gente. Que a possuímos é certo, mas trazê-la à tona é outra história. Um exame rápido e honesto dos nossos sentimentos muitas vezes é o que basta para nos lembrarmos que é sim possível ficar com a mente livre de conflitos, medos e preocupações. Normalmente é preciso bem mais do que isto, mas ficamos tão presos aos nossos sentimentos de correção, de certeza, de irritação, cinismo e afins que esquecemos que podemos sentir as coisas de um modo um pouquinho diferente. Tudo se trata de uma prisão emocional que nós mesmos criamos e que nos leva a perder inteiramente a fé no amor duradouro, no comprometimento e na paz. Nos coloca naquele mundo preto e branco do qual acabamos nos acostumando. A sensação é de que passamos de um problema para outro, e assim sucessivamente. Mas é só abrir os olhos e mudar o foco, e assim, as soluções aparecerão.

Fazer terapia mexe com a cabeça da gente. Mas eu diria que mexe de um jeito bom. Saí daquele consultório decidida, pronta pra mudar determinados comportamentos. Na teoria é bem fácil, era colocar os pensamentos em prática e ponto. Já na prática, era tudo um tanto mais complicado. Ainda mais se tratando de... Mim? Bom, nunca foi muito atraente admitir mas sim, sempre fui o tipo certo de pessoa errada. A garota errada em quase todos os sentidos possíveis, mas ser assim nunca foi um problema, pelo menos até agora. Eu estava certa de que assim que pisasse na escola e visse os preparativos que eu mesma ajudei a organizar para a festa de Hallowen todos os meus planos de mudança escorreriam água a baixo, mas enquanto a animação da noite ainda não me dominava por completo, eu caminhava e filosofava sobre o meu jeito de ver a vida. Naquela semana em especial eu estava vendo problemas em tudo. De acordo com o Sr. John Smith, meu psicólogo, o quarentão bem sucedido com quem eu conseguia ser eu mesma sem ter medo de ser julgada, o comportamento se devia ao stress moribundo causado pela carência paterna. John filosofou durante horas sobre o ‘você atrai aquilo o que pensa, se procurar coisas ruins, vai achar coisas ruins’ e de certa forma aquilo tinha causado efeito. Enquanto o taxi se aproximava de casa, ia pensando que os problemas me atingiam na medida das minhas preocupações. A chave para se alcançar a fluidez, o repouso e a liberdade interior a que eu tanto buscava secretamente, não era a eliminação das dificuldades externas, mas sim o desapego ao padrão de reação a essas dificuldades.

Festa estranha com gente esquisita...

Nem preciso mencionar que parte de mim pretendia levar aquele sermão a sério, deixar a festa de lado e meditar a noite toda. Mas eu não seria, ãhn... Eu, se o fizesse. Não é querendo me gabar, mas já me gabando, uma festa não era uma festa quando eu não estava lá para encerrar a noite com chave de ouro, como costumava fazer depois de virar alguns copos. Falando em copos, pensar tanto na vida dura já estava dando dor de cabeça, parecia um pouquinho mais simples afogar os problemas em uma taça. Embriagada seria muito mais fácil não pensar neles. Era o que eu achava, e de acordo com a criação que recebi, é preciso ir atrás, lutar, afinal de contas, tudo nasce de uma idéia nessa vida. E quando desci do táxi e abri o portão minha idéia era: vestir a melhor roupa que poderia, ficar linda de doer para aumentar os imensos olhos gordos em cima de mim e... Me divertir até não agüentar mais. Acho que ambos concordamos que não foi a idéia mais sábia que uma menina tão culta como eu poderia ter, mas foi uma idéia e tanto...


Em algumas horas depois, o tempo que uma senhorita fina e elegante como eu leva para ficar ainda mais bela do que já é por natureza, lá estava eu. A combinação perfeita: gente bonita, bebida e música boa. Lembrando que toda regra tem sua exceção. Nem tudo ali era do meu agrado, mas era o bastante para dar uma animada. Refrescar as idéias, literalmente. Entrei com aquele andar superior de sempre, ainda não tinha conseguido me livrar dele, logo ELE, o principal culpado pela minha fama de chata. Mas em fim, abri as portas com a maior delicadeza que pude e com o olhar observador de sempre constatei que a festa não estava lá grande coisa. Falta algo ali, ou melhor, faltava... A responsável por animar aquela bagaça já estava ali e o nome dela? Kelly Prescott, prazer. Me lembro que entrei e fui logo para a mesa de bebidas, quanto mais rápido esquecesse dos problemas, melhor. Sim, John me mataria mas eu me conhecia o bastante para saber que não conseguiria ficar sóbria quando a noite chegasse ao fim. Não é fraqueza, o nome certo é juventude, aquela época da vida pela qual todo mundo passa e tolos os que não a aproveitam bem. Não me imagino uma quarentona infeliz carregando aquele velho sentimento de 'e se...' . Definitivamente eu não me imagino assim. Podemos chamar também de auto-conhecimento. Eu, Kelly, me conheço o bastante para saber que não aguentaria me manter longe daquele líquido sedutor. Assim, Peguei um copo, o primeiro que vi na frente. Então, depois de dar um gole faminto da bebida cor-de-rosa ainda não identificada, encostei na mesa e soltei um daqueles longos suspiros de alívio. Fiquei observando as pessoas por algum tempo; grupinhos felizes se comunicando verbalmente, outros se comunicando fisicamente nos cantinhos mais reservados... Cada um se comunicando na forma que achava mais fácil ou mais atraente. Me divertia apreciando os apuros micosos nos quais meus amados coleguinhas se metiam de minuto a minuto. Que desastre. De qualquer forma, era só esperar, hora ou outra as pessoas mais chegadas dariam as caras... Era o que eu esperava...

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Cadance Fox
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MensagemAssunto: Re: A February Halloween night?   Dom Nov 09, 2008 10:23 pm

- Imagino que de onde você veio é muito mais agitado. Julgando pelo bom gosto de se vestir, não poderia ser de Camel. O que trouxe você a Camel, Cadance? Eu vim fazer faculdade direito, direto de Los Angeles como disse antes.

Puta que pariu, aquele cara falava muito. Bem, eu também já fui assim em uma época remota. Quando eu vivia em uma cidade decente e estava sempre rodeada de pessoas igualmente decentes. Não que ele não fosse decente. Parecia ser alguém bem legal julgando pelas cervejas que ele, de forma genial, havia levado para a festa. E afirmo com convicção que aquela fracionária quantidade de álcool ingerido por mim me fez melhorar um pouco o humor. Não que eu ficasse bêbada com tanta facilidade – acredite, eram precisas muito mais latinhas para me deixar bêbada – mas só de ver uma bebida decente já era digno.

- É, eu sou de Washington. Fui obrigada a vir pra cá depois de meu pai ter decidido se aposentar – fiz uma careta aborrecida e olhei em volta – Jackson Fox, você deve conhecer. – Quem nunca havia assistido uma luta do celebre lutador de boxe mais famoso dos Estados Unidos? Modéstia a parte, eu havia herdado muita coisa dele. – Você é bem louco de deixar LA para vir para cá hein? – Eu conhecia Los Anjeles, pois meus pai já havia lutado lá umas trocentas vezes. A cidade era bem legal. Dei um meio sorriso para ele e vi mais pessoas chegando na festa. Ainda era bem cedo, mas eu esperava realmente que a festa não ficasse só naquilo.
Percebi que o olhar do tal Thomas estava em uma garota de expressão meio auto-inferiorizada. Julgando pelo olhar, parecia que havia um frissom rolando. Quase ri.
Ele acenou para ela e a garota, quando no viu, decidiu vir até nós. Eu ergui uma sobrancelha quando a vi chegar perto e depois soltar um sonoro “olá gente!”. Thomas sorriu, meio lesadão e a cumprimentou. Eu dei um leve aceno de cabeça e dei um gole na nova latinha de cerveja que eu mantinha em mãos.
Por um momento ouve silencio entre nós, então eu aproveitei a deixa e decidi que era melhor sair pela tangente do que ficar ouvindo qualquer coisa que eles falassem e que, eu sabia, não fazia muito parte do meu mundinho. Até porque eu ainda não estava na faculdade.

- Vou para o salão, tá? – Falei com eles – Divirtam-se aí. Ou o que for – dei de ombros. Caminhei alguns passos para o ‘cume’ da festa, mas então fiz uma careta cômica até para mim mesma e fui novamente até o Thomas. Ele, muito possivelmente, já sabia que o meu interesse estava na cerveja, então me ofereceu uma das ultimas. Dessa vez enderecei um sorriso genuíno a ele e peguei a latinha. – Valeu, Thom. A gente se vê por aí. – Fiz mais um aceno com a cabeça para eles e me retirei enquanto abria a latinha. O barulhinho do gás se esvaindo pela pequena saliência por onde eu dava os goles, era sonoramente reconfortante. Barulhinho santo... Se bem que não havia nada de santo em cervejas, eu sabia.
Fui até uma das extremidades opostas do salão, ignorando o olhar da Madre Enestina; que parecia, por sua vez, lançar alfinetes na parte lateral da minha cabeça. E isso só com o olhar. Imagina a língua ferina que a megera tinha. Mas, dane-se. A língua dela poderia até ser ferina, mas a minha era brutal. Se ela viesse encher o meu saco, só iria receber umas boas verdades.
Cheguei até perto de uma das mesas de bebidas e comidas e, depois de clandestinamente afastar algumas bandejas e ponche, sentei-me em cima de uma delas. Isso me dava uma boa visão para o salão e eu mantive o meu olhar passeando por todo o ambiente.
Depois de algum tempo uma loira com aparência – falsamente – superior entrou; olhando todos como se fossem vermes, súditos ou algo assim. Até que se vestia bem, mas não era, nem de longe, o estilo nova-iorquino ou de Washington. Naquele pequeno intervalo de tempo em que havia chegado àquela cidade, eu notei que havia muita diferença entre uma pessoa bem vestida da capital e uma bem vestida do interior. Eu, particularmente, acho que os da capital são muito mais elegantes. Já os das cidades menores da Califórnia, pareciam adorar umas cores claras como bege, branco, marrom ou cor de rosa. Urgh. Preto é vida. Preto é arte. Preto é simplesmente... preto. Perfeito para todas ocasiões e momentos, proporcionando elegância garantida.

De qualquer forma, a loirinha parecia se sentir bastante superior ali. Alguém havia comentado comigo o nome dela, mas eu estava ocupada demais odiando qualquer coisa para que prestasse atenção nisso. Além do mais, ser digno da minha atenção exige distinção, coisa que pouca gente naquele buraquinho tinha. Era sempre a mesma coisa. Sempre.
A garota parecia ser uma das populares do Colégio. Lembro de tê-la visto com alguns garotos no intervalo. Muitos deles, inclusive, virem me dar ‘oi’ e me cumprimentar por ser nova no lugar. Certo, eu totalmente sabia que a razão de eles estarem me babando era o fato de eu estar com uma de minhas micro-saias e a inseparável bota. Sempre preto claro. Aparentemente, a loirinha não gostou que os amiguinhos dela também haviam me dado atenção, mas eu também não dou uma merda por isso. Aquele bando de carinhas com expressões submissas e infantis que fizessem o que quiserem e ela também. Eu pouco me importava com o que quer que falassem de mim ali. Já tinha até ouvido que as pessoas estavam espalhando que eu era uma delinqüente obcecada por violência ou algo assim. É claro que eu piorei tudo propositalmente, alegando a uma garota que eu sabia ser bastante fofoqueira, que eu havia passado dois meses em uma clínica de reabilitação em NY. E depois dei boas gargalhadas com isso, é claro.

Olhei em volta e constatei que a loira não estava muito longe de mim. Na mesa seguinte bebericando alguma coisa que tinha um valor parcialmente nulo de álcool. Dei um dos últimos goles na minha latinha adorada de cerveja e engoli devagar; aproveitando cada gota e sabor. Nessa hora uma musica mais legal começou a tocar e eu até ergui uma sobrancelha, completamente estupefata por descobrir que sabiam o que era música ali.
Como sou meio estourada, simplesmente fui para o meio do salão e comecei a dançar. Não havia muita gente no salão, e o pessoal que lá estava parecia tecer uma linha invisível que dizia: Lado feminino / Lado Masculino. É, todos estavam meio separados.
Eu simplesmente comecei a dançar normalmente, obviamente ignorando tudo e todos.
E putz, foda-se, saca? Se é para se divertir, vou fazer isso nem que seja comigo mesma!
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